
Para falar de Heine, é preciso entender um pouco da alma do romantismo alemão, do qual o poeta é um filho legitimo, engradado aos moldes dos byronianos os rebeldes que vestiam o luto no corpo, nas palavras e nas ações, Heine foi representante fiel desta casta enobrecida pela mais bela das nobres artes, a literatura universal.
Como citou José Perez no prefacio de uma excelente coletânea dos escritos raros de Heine: “múltiplas facetas se desdobram nas obras de Heine. O lírico, o ironista, o sarcasta, o cronista diário, o polemista vergastante, o revolucionário para vingar-se, notavelmente seu cariz de poeta que afirmou imortal”.

Ele foi erroneamente chamado de “Byron alemão”, mas sua autenticidade de uma forma absoluta elevou-o fielmente a altura do lord sombrio inglês, não somente pelos gostos parecidos, mais pela maneira dolorosa de ver a vida, as coisas primordiais relacionadas ao prazer e sobretudo ao amor, o ideal feminino, a busca incansável pela fada dos sonhos, a virgem encantada, e a ninfa ideal e absoluta.

Heine se apresentou aos seus contemporâneos, como “ingenuo” com coração de pombo, mas ao escrever sobre alguns temas ele demonstrou seu “bico abutre” e soube atacar e ferir com elegância. Sua ironia é feroz! Seu sarcasmo equipara-se à Voltaire, se foi odiado, nós os escritores assíduos, conhecedores de sua obra, sabemos porque! Heine ataca no amago, na raiz, no coração dos seus detratores! Quanto aos seus poemas, são puros, lembram a cadencia harmônica da literatura clássica da antiguidade. A beleza aqui domina, é a musa imortal e absoluta, cantadas aos ditames praias aproximada a Keat's: “A beleza é a verdade e a verdade é a beleza, é isso tudo que vós precisa e necessita neste seu viver no mundo”
Gênio e porta erradio, sensível ao extremo, irrequieto, atormentado pela beleza e pelo amor, Eros no plano mitologico, conheço a negrume sinistro da vida, a indiferença fria e perversa de algumas mulheres.

Neste impenetrável mundo feminino outro poeta, esse mais encabrunado conhecido por Baudelaire, escreveria “a mulher é um ser inacessível”.
Heine angustiado e incompreendido pelas mulheres e pelo mundo, vai então encontrar na boêmia e no convívio com as prostitutas o seu trágico e horripilante fim, ao contrair de uma mundana, o veneno do mal do século, a sífilis!
Mesmo sifilítico, escreve colabora para jornais, ataca, sente, compõe, trabalha na sua grande obra.
Seus livros como ele mesmo escreveu “eram navios que se perdiam na imensidão do horizonte infinito rumo ao desconhecido”
Tenho a honra de apresentar a vocês, um pouco da vida e obra desse enevoado poeta de origem judaica, de língua alemã e alma helênica...