
Rubaiyat:Omar Khayyam
A arte de um bom escritor atravessa os séculos, e nesta passagem arrasta consigo apenas o que de melhor havia em seu tempo a grandeza da arte se mede pela sua qualidade, pela maneira como foi colocada as palavras a elegância do bom escritor ta no estilo e no charme.
Todo homem de letras viveu quase tudo daquilo que escreveu, sua produção até certo ponto é sua vida, seu conflito, seu pesar, sua angustia sufocada que se traduz em suas obras.
Refletindo profundamente sobre arte de escrever bem, o nome do escritor português Albino Forjaz de Sampaio não podia passar despercebido, então resolvi de bom grado evocar das tênebras da escuridão e do lodo do esquecimento o espéctro do ilustre dandy da terra de Camões e de Camillo, e assim num gesto cortes, poder apertar sua mão e dizer:

Albino Forjaz de Sampaio nasceu no dia 19 de janeiro de 1884 em Lisboa, filho legitimo de Antônio Maria Pereira Forjaz e Dona Maria Antônia Pereira Forjaz, pouco se sabe sobre sua infância mas seu espirito investigador muito cedo levou-o aos estudos e pesquisas do mundo da cultura.
Aos 14 anos já possuía vastíssima bagagem literária segundo relatou João Paulo Freire (Mario) em seu escorço bio-bibliográfico publicado pela empresa literária fluminense sobre o escritor, entre seus primeiros escritos que datam de 1901 ele publicou: " Violáceas e cantaridas" e alguns de seus escritos começaram a causar polemicas em Portugal, ele dissertou de forma genial num texto chamado "elogio do vício": "que o vício deve ser uma coisa supina, mirifica, excelente não há duvida nenhuma, visto a ver tanta gente que o tem. E não há duvida nenhuma que se não fosse o vício metade da humanidade já teria morrido e outra metade teria se suicidado.

Suas palavras se completam diante das nossas observações e ninguém melhor do que ele para expressar de forma muito bem ilustrada as bobagens que o povo pensa e as luxurias que os nobres aspiram!
Acredito que de toda sua obra a mais polemica e assustadora foi as PALAVRAS CÍNICAS publicadas em 1905 que eu classifiquei como uma lição para o resto da vida, esse poderoso livro, odiado, taxado de livro maldito foi o maior escândalo literário de toda a história de Portugal, não tardou de aparecer quem de cara limpa condenasse o livro, e um cidadão brasileiro chamado João Coelho, passeando por Portugal teve a oportunidade de ler AS PALAVRAS CÍNICAS,


Livro de cunho filosófico à altura de um SCHOPENHAVER HARTMAN, NIETZSCHE ou SADE, denunciava exatamente a hipocrisia social, a canalha humana, a desgraça da religião cristã, e o que existia de fato por detrás de um belo rosto de mulher! Atacou as mulheres na essência sem deixar direito de defesa e na sua acusação contra elas provou à plena luz do dia a trama diabólica que boa parte arma com seu sexo para destruir os homens!
Desmascarou todos os canalhas e traçou de forma corrente o caminho maldito que a sociedade contemporânea tomou. Colocou a morte como a grande vingadora de todo mal...
Albino Forjaz de Sampaio após se consagrar definitivamente com essa obra, lançou em 1908 as "CRONICAS IMORAIS", em seguida em 1910 "LISBOA TRÁGICA", e em 1911 "PROSA VIL", todos eles bem escritos com assuntos bastantes pertinentes só fizeram aumentar o número de seus inimigos literários que morriam de inveja e ódio por ele escrever tão bem com uma ironia venenosa equiparada a HEINE ou VOLTAIRE.

O livro apesar de ser uma critica contra barbárie da guerra tratou do assunto de forma bem diversificada e a discussão não ficou apenas em criticar a Alemanha mas também mostrou outros pontos de grande relevância histórica que nos toca na alma nesta obra é a dedicatória de abertura do livro:" A todos que ao frio, a neve, a chama rubra dos incêndios, ao troar do canhão, ao enervante crepitar da fuzilaria, na incerteza das águas do mar, na planice desolada dos Flandres, na noite negra das trincheiras ou na noite vermelha dos hospitais, souberam lutar, combater, sofrer, morrer, honrar a pátria, soldados de Portugal!"

Escritor incansável, sofria de insonia e se aproveitava disso da melhor forma, confinado na sua riquíssima biblioteca podia passar a noite inteira lendo, escrevendo, estudando e produzindo sua própria obra também era um bom jornalista e suas cronicas eram sempre da pesada!
Sua fama o levou a fazer parte da academia de ciências e letras de Lisboa e com a fama muita coisa inédita escrita por ele passou ao publico como por exemplo "O REINO PERDIDO", "O SOL DO JORDÃO", "AS MOIRAS", "VERSOS DO REINO", etc. Um do seus poemas transcritos merecem a nossa atenção: "

Pouco se sabe da sua vida amorosa, mas sabe-se que chegou a se casar e ter duas lindas filhas e chegou a ser fotografados com elas, sua vida toda era o trabalho e a leitura e possuía habilidade de bom colecionador de livros raríssimos! É bem provável que tenha lido muito CAMILLO, NIETZSCHE, SCHOPENHAUER, DANTE, ANTONIO NOBRE, TEOFILO BRAGA, GOMES LEAL, BAUDELAIRE, ANTERO DE QUENTAL, MANOEL LARANJEIRA, GERARD DE NERVAL, CAMÕES, ERASMO DE ROTERDÃ, EDGAR ALLAN POE, BOCAGE, EDU, METZNER, LATINO COELHO, PETRARCA, OVIDIO, HOMERO, VIRGILIO, PETRONIUS, RIMBOUD, etc.

Provavelmente tenha morrido em Lisboa e suas filhas, trataram de rever toda a obra do pai, pois antes de morrer ele ficou muito doente, nos seus últimos dias nesta terra o escritor sofrido e amargurado expressou muito bem o seu modo de ser realista e pessimista de ver as coisas como escreveu na obra "TÍBERIO FILOSÓFO E MORALISTA:" "nós os pessimistas devemos tomar a vida má, como ela é, quando ela se nos apresenta risonha é porque quere converter em ironia nosso modo de ver, é que a maioria dos homens não vê não sabe ver que a morte, a liquidatária fatal está espiante a cada passo"...
Marcos.T.R.Almeida